domingo, 17 de abril de 2005

Porque não consigo entender La Iglesia...

Já escrevi vários inícios diferentes para este post. Nenhum me satisfez... No fundo, queria explicar a quem lesse esta pequena rábula o que penso a respeito da Igreja como instituição e do Catolicismo. É deveras complicado escrever sobre este assunto sem me perder na complexidade inerente à análise da existência de uma instituição milenar como é a Igreja. Como tal, e correndo o risco de parecer superficial por tentar abordar vários tópicos de uma só vez, vou tentar sintetizar alguns dos meus pontos de vista, discutíveis certamente (!), sobre a Igreja. Reparem que as minhas críticas não se dirigem a uma pessoa em particular mas a esta instituição e ao que simboliza... Este post deve ser entendido como um convite à discussão (ena ena! mas que bem!) já que este blog moribundo carece de actividade urgentemente...
Começei a pensar em escrever qualquer coisa sobre este tema quando o Papa deu entrada na clínica Gemelli em estado crítico. Lembro-me de na altura ter pensado "mas porque é que ele não renuncia!?" O Papa não estava, obviamente, em condições de presidir à Igreja nem de exercer as suas devidas funções como sumo pontífice... Porque não renunciar? Porquê deixar que a sua debilidade física, o seu sofrimento fosse comparado ao de Jesus no final da sua existência? Seria esse o seu objectivo? Sofrer como Jesus sofreu para o bem da humanidade? Gostaria de pensar que não pois, caso contrário, os cuidados paleativos prestados por técnicos de saúde a doentes em fase terminal teriam de ser entendidos como algo extremamente negativo. Pessoalmente não consigo assimilar tal conceito e não creio que tenha sido esse o propósito. Aliás, não creio sequer que seja possível discernir uma finalidade em tudo o que se passou durante aquela semana. As mentes mais férteis poderiam ainda especular sobre se quereria João Paulo II dar o exemplo em relação à eutanásia? Creio que não. Mais, espero que não pois eu, estudante de medicina, sou a favor da eutanásia... Mas isso fica para outro post...
Bem, raciocinando um pouco agora, pensemos no que acontece quando o CEO de uma empresa dá sinais de incapacidade... É muito simples! O líder é substituido. Fim da história. Ora aqui reside um dos primeiros pontos em que estaquei... A Igreja é responsável em todo o mundo por diversas obras de apoio social, pelo auxílio prestado a milhões de famílias carenciadas, pela pela transmissão de uma mensagem de esperança aos que já a perderam e que encontram em Deus uma nova força à qual se podem agarrar, enfim, por uma infinidade de acções a todos os títulos louváveis. Ainda assim, a Igreja constitui-se presentemente como uma instituição moralmente retrógrada, obscura, hipócrita, pouco "cristã" se quisermos... O que é a Igreja hoje, e talvez desde sempre, se não uma empresa? Uma multi-nacional cujo negócio principal é a religião! Sim, creio que é deste modo que eu a concebo. Na idade média confundia-se com a nobreza ou mesmo com o poder Régio e hoje, o Vaticano e o banco Ambrosini (por exemplo) formam uma das mais poderosas instituições que já conhecemos na nossa história... Falo de duas coisas diferentes como uma só porque, para dizer a verdade, não sei onde acaba uma e começa a outra... Talvez os banqueiros não saibam dar a missa, e os padres não saibam o que é um certificado de aforro, mas lá que existe ali uma relação promíscua...
Herege!!!
Esta é talvez uma concepção pouco popular da Igreja mas não a consigo conceber de outra forma. Como funciona? Recolhe-se o dinheiro dos fiéis, tanto quanto quiserem dar, e usa-se esse fundo para que seja aplicado em prol da instituição! Já na idade média, os nobres pagavam a sua entrada no paraíso e ao povo esse pagamento era extorquido, directa, ou indirectamente... Pertencer ao Clero era ser superior ao vulgar elemento do povo! Os eclesiastas, que pretensamente haviam feito um voto de pobreza, encontravam-se entre os homens mais ricos do mundo! A Igreja, composta por homens que prestaram um voto de pobreza mas cuja indumentária incluí vestes dos melhores tecidos bordados a ouro, é uma das instituições mais ricas que jamais existiu. Não há aqui nada de estranho?! Terá sido esta a mensagem passada por Jesus Cristo? Não foi esse o homem que incompatibilizou a pureza de espírito com a riqueza?
Como é evidente, onde há dinheiro há corrupção, e a Igreja não é excepção... Aliás, quando se vê bem a questão, a Igreja nunca é excepção! Particularmente quando nos reportamos a assuntos negativos (mas que belo eufemismo) como a pedofilia ou, andando um pouco para trás, a escravatura, a Santa Inquisição...
A lista de crimes que a Igreja cometeu desde a sua criação é interminável. O próprio princípio em que esta instituição devia assentar não é cumprido!! Todos os homens foram criados iguais... pois claro... Todos menos os judeus, os hereges, os que se revelavam contra a Igreja e que por isso foram levados ao tribunal do Santo Ofício e sentenciados à perda de todos os seus bens (alguém tinha de pagar a conta da santidade e pureza de espírito!), à morte, condenados à tortura... Todos foram criados iguais... à excepção dos escravos africanos, dos índios sul americanos com quem os missionários tanto se divertiram a ensinar a catequese em nome de Deus. Todos são iguais! Uns mais iguais que outros! O Papa é superior, os cardeais são iguais entre si, inferiores ao Papa... e daí em diante... até ao diácono... Podemos mesmo ir mais a fundo! Se somos todos mesmo iguais, então porque devemos obedecer aos ensinamentos de um homem? Porque não pensar pela nossa própria cabeça e decidir o que consideramos ser melhor? Porque temos de cumprir protocolos, passar por determinados rituais ao longo da vida só para sermos aceites no reino de Deus? Não chega ser boa pessoa e não fazer mal a ninguém? Dizem amigos meus que são católicos "vou à missa porque gosto, porque me sinto bem, não pela obrigação de ir!"... Será imaginação minha ou uma das coisas importantes do Crisma é que a responsabilidade de ir à missa passa a ser imputada ao próprio ao invés de o ser aos seus pais? A responsabilidade de ir à missa! Isto significa que se não forem à missa têm de se ir confessar... Não me parece que seja propriamente uma questão de vontade... Até podem gostar de ir a missa, mas mesmo que não gostassem, iam forçados... Ou isso ou o inferno!! Não é bela a doutrina? Por favor, corrijam-me se o que atrás referi está errado (já vejo os comments a chegar...)!!!
Acredito em Deus... mas não como o concebem os católicos... Para mim, enquanto a ciência não for capaz de descortinar de onde vem tudo isto que vemos à nossa volta, existirá sempre uma entidade qualquer que nos é superior. Essa entidade não é, evidentemente, perfeita como o Deus católico... Nem será necessariamente omnisciente... É, simplesmente, superior... De uma forma que não posso caracterizar (não possuo uma bíblia que me diga como é...).
Em suma, apesar de respeitar a lição que, propositadamente ou não (digo isto porque ainda não há certezas quanto ao facto de Jesus se ter deslocado até aos seus inimigos para ser castigado), Jesus Cristo nos deu no decorrer daquilo que se denomina Via Sacra. Assumindo que Jesus era mesmo o redentor (é também discutível de Jesus é quem dizia que era...), tem de se reconhecer que o facto de ter existido um homem disposto a passar por tal sofrimento por acreditar que isso vai redimir toda a humanidade, deveria fazer-nos sentir que devemos corresponder a esse sofrimento tentando ser pessoas melhores... Acho que essa é a verdadeira lição da historinha da Bíblia. Acredite-se ou não... A Igreja bem podia não existir... Se fizermos um balanço da sua actividade ao longo da história, tenho dúvidas que seja positivo.
Bem hajam...

terça-feira, 5 de abril de 2005

Flashback

Tava a ouvir o Mr. Cox, e lembrei-me... :=)

sexta-feira, 1 de abril de 2005

A minha vida não amorosa com a DGV

Olá amigos!

Venho por este meio partilhar convosco um momento particularmente feliz da minha vida: só com 20 anos de vida e já descobri o meu arqui-inimigo, a DGV! (é este o momento)
Toda esta brilhante novela repleta de amor e paixão começou em Setembro de 2003, quando ia eu calmamente na auto-estrada A2 para Lisboa (nos meus tranquilos 150 km/h +/-) quando vejo um belo de um BMW todo poderoso entrar na mesma A2 atrás de mim. Lembro-me de dizer para um amigo meu que ia ao lado:
"Ganda Bote!" (Sabia lá eu que o mesmo me ia fazer a folha..)
Daí a momentos o dito cujo cola-se ao belo cú do meu botezinho, e eu inexperiente que era na altura e como não gostava nada que se colassem atrás de mim (o dito bofo tava mesmo grudado, o tal meu amigo pelo retrovisor não via a matrícula do carro, para dar uma ideia..) desatei a acelerar (feito parvo).
Isto passava-se na faixa da esquerda enquanto ultrapassava um pelotão de camiões (eram mais que as mães! literalmente..).
Ultrapassados os pesos pesados faço o habitual pisca para a direita para desmarcar o "Ganda Bote" do cú do meu botezinho. Nesse mesmo instante os srs. agentes que o conduziam dão um ar da sua graça e ligam os pirilampos do "Ganda Bote" para eu encostar.. Fixe! Tinham um video meu apanhado a 192 km/h...
Tal evento ficou registado.

Tempos depois numa tarde em Vilamoura, vinha de quarteira onde fui gentilmente comprar uma lâmpada para a minha mãe e passei um semáforo amarelo (localizado num sítio íngreme, e daí o meu passar). Metros adiante fui parado pela *bela* da GNR de Vilamoura com um cara de pau a dizer que tinha passado o semáforo a vermelho. Só me apetecia dizer:
"Óh animal, se calhar a tampa do pipo da roda de trás do meu carro passou com o semáforo vermelho, mas eu quando olhei tava amarelo.."
Mas enfim, era o mesmo que tar a dizer que a galinha surgiu primeiro que o ovo.
Estes tipos já me conhecem por em vez de andar atrás dos dreads fodidos, passarem o tempo a parar putos como eu já fui que andam por ali de scooter.

Pois bem. Dito isto no belo dia de 2 de Dezembro de 2004 recebi a respectiva cartinha do meu amor (DGV) com uma prenda de natal antecipada.. sem carta durante 3 meses! (dada a acumulação das duas infracções tendo sido decisivo para eles a situação do semáforo - GNR de Vilamoura, those bastards! Após várias horas de controlo sobrenatural e com as janelas trancadas consegui consciencializar-me de que nos próximos 3 meses, era a penantes ou á boleia.

Depressa (ou não..) lá passaram os três meses, e numa bela manhã de março fui todo contente levantar a minha cartinha (lá estava ela...).

Passadas +/- duas semanas recebo nova cartinha do meu amor. Pois bem, a DGV suspendia-me novamente a carta por mais 3 meses devido a "outro" excesso de velocidade feito +/- há um ano atrás, que passo a relatar. Vinha de lisboa com a érica e a inês (uma amiga) e fui levá-las a faro. Recentemente há entrada de faro existe uma nova estrada de acesso, boa, estilo 2ª circular onde o limite é normalmente 70, mas depois de uma curva passa a ser 50. Enfim, a sorte estava comigo e fui fotografado a 99 km/h depois da curva (com o limite a 50 portanto). Daí a 2ª cartinha do meu amor. Esta situação foi verdadeiramente ridícula dado que metade de faro foi fotografado e parado na rotunda a seguir (como eu. o local da operação stop era numa estrada nova, boa, á entrada de faro onde nunca nada acontece). Enquanto o polícia me autuava eu ria com desconhecidos condutores na mesma situação que eu do bárbaro que toda a situação era - já se falava em tirar Portugal do défice á pala daquela operação stop.

Dito isto, estou agora novamente sem carta e se tudo correr bem (hahaha.. *NOT*) posso levantá-la dia 30 de Junho. Óbvio que estou consciente que a culpa de tudo isto é só minha.. Salvé!

PS: Se alguém estiver interessado em organizar uma pandilha de terrorismo contra a DGV e/ou o posto de GNR de Vilamoura, contactem-me o mais urgentemente possível. Se for preciso estou disponível para ser homem-bomba.

Obrigado a todos.

Um post com conteúdo!

Fazer rádio... não é propriamente uma paixão. Ainda assim, dedico-me a este projecto que me foi proposto pelos meus amigalhaços Pedro e João com alguma seriedade, caso contrário não teria aceite fazer parte do mesmo! Prego no Prato é o nome do programa e vai pró ar da 00h00 à 1h00 da manhã. O tema é o techno, estilo musical altamente desprezado pelas várias estações de rádio existentes aqui no nosso cantinho à beira mar escarapachado...

Como disse no início, a rádio n é uma paixão... é, para mim, um modo de fazer com que algumas pessoas (as poucas que ouvem o programa) tenham contacto com um género musical que, para a maioria dos ouvintes, é meio desconhecido. Para isso e para dar a conhecer ao mundo, perdão, às poucas pessoas que nos ouvem e que não gostavam de PUM PUM PUM que o techno não é só isso... Ah, esqueci-me de mencionar que o programa serve também para mostrar que, à excepção de Agger Nas, os produtores do programa são DJ's de qualidade!! ;)

Gosto de techno, o meu estilo musical preferido é o trance (Paul Van Dyk style principalmente embora aprecie bastante vários outros DJ's). Não gosto muito de psy-trance e irritam-me, solenemente, aqueles que acham que esse é o único estilo existente... IGNORANTES DO CA*****!!! Como tal, não podia deixar de referir aqui que um dos enormes génios deste estilo musical, nº1 DJ in the world, vem ao Olá Love 2 Dance deste ano... DJ TIESTO!
É uma enorme lufada de ar fresco que alguém em Portugal se tenha lembrado que, para um grande festival de música fazia sentido trazer um Dj de topo (já agora podiam trazer o nº2 Paul Van Dyk e o nº3 Armin Van Burren) que, por acaso (ou talvez não!) passam trance... Esta frase é bem polémica! :)

Claro que, tendo em conta que o público Tuga (a maioria pelo menos), gosta é de O-zone, a escolha musical da maioria dos bares/discotecas de Lisboa e do país acaba por deixar muito a desejar. Abro aqui excepção para discos como a Kadoc, a antiga Locomia, o Lux ou o Pacha que nos apresentam algumas sugestões diferentes de quando em vez... Bem, "stating the obvious" (sei que é irritante usar o inglês mas acho que traduz melhor o q quero dizer...), de um público, de um povo que se auto-intitula os "Tugas", com muito orgulho, não se pode esperar muito mais não é?! O que vale é que há algumas excepções!! Poucas, mas preciosas... A falta de cultura musical existente no nosso país é, absolutamente, confrangedora. Não digo que as pessoas tenham de gostar todas de trance, ou de outros estilos musicais... mas podiam saber distinguir uma música de qualidade de lixo para os ouvidos. Num dia destes fui confrontado com uma situação que me fez pensar um pouco... it goes like this: "o carlos adalberto (não é bem assim que ele se chama... :P) gosta bué de jazz e no outro dia surpreendeu-me bué quando me mostrou uns discos com bué trance que tinha lá... tava a vibrar com aquilo... não tem nada que ver uma coisa com a outra!".
Houve um tipo qualquer, cujo nome me falha, que disse que havia dois tipos de música: a boa e a má. Não podia concordar mais. Só tenho pena que os "Tugas" não os saibam distinguir. Muitos nem têm culpa disso! A sua educação falhou nesse componente que, a meu ver, é de extrema importância na formação e criação de uma certa sensibilidade artística e cultural. O Carlos Adalberto claramente gosta de música, quer dizer, GOSTA de música. Porque há uma diferença entre os que ouvem música porque dá na rádio a caminho do trabalho e os que a ouvem e a produzem (porque não!) por amor a esta forma arte.

Em jeito de conclusão, queria só que não entendessem mal aquilo que aqui escrevo... Cada qual tem os seus gostos musicais e ninguém tem nada que ver com isso. Só me é um bocado difícil estar quase sempre a ser confrontado com a minha "esquisitice" quando estou numa qualquer festa, com música de M****, de péssima qualidade, e toda a gente está a adorar...
Devia ir estudar fisiologia, ou então bioquímica... No entanto, a minha irresponsabilidade vai conduzir-me à gravação de um set para o próximo Prego no Prato...

Bem hajam...